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Recentemente
têm aparecido artigos em jornais e sites da internet em todo o mundo
destacando o fato de que as vendas de livros de Karl Marx no ano
passado cresceram consideravelmente no leste da Alemanha,
particularmente entre jovens. Vale a pena pelo menos citar alguns
destes artigos.
O “Goethe-Institute” publicou um artigo chamado Prestes a ser re-descoberto: Karl Marx, no qual lemos o seguinte:
“Já há algum tempo temos ouvido
falar do capitalismo ladrão, pragas financeiras e neoliberalismo aonde
quer que seja comentado o sistema de livre-mercado. Karl Marx e suas
teorias estão prestes a submeter uma renascença?
Beatrix Bouvier, diretora do museu e centro de estudos da Casa Karl
Marx, em Trier, prefere não dizer em uma renascença de Karl Marx. Mesmo
assim, ela observou numa entrevista com a Agência de Imprensa Alemã que
o interesse no filósofo e economista alemão recentemente cresceu,
particularmente entre os jovens.
O Karls Dietz Verlag está bastante satisfeito com a demanda montanhosa
dos trabalhos de Marx. Em maio de 2008 foram vendidas três vezes mais
cópias do Capital que em maio de 2007. Este aumento claro no interesse
foi previsto em 2007 quando o dobro de cópias foi vendido em relação ao
ano anterior.”
No site da STV encontramos um artigo sob a manchete: “Crise global
manda o leste da Alemanha em mutirão para Marx”, que declara o seguinte:
“Duas décadas após a queda do
Muro de Berlim, o pai fundador do Comunismo, Karl Marx, está novamente
em voga na Alemanha oriental, graças a crise financeira mundial.
Sua análise crítica do capitalismo em 1867, “O Capital”, ergueu-se da
tumba publicitária para se tornar um best-seller imprevisto para a
editora Karl-Dietz-Verlag.
‘Todo mundo pensou que não haveria nunca uma nova demanda para O
Capital’, diretor gerencial Joern Schuetrumpf contou à Reuters após
vender 1.500 cópias até agora neste ano, o triplo do número vendido no
ano de 2007 inteiro e um aumento de 100 % desde 1990.
‘Até mesmo banqueiros e gerentes agora estão lendo O Capital para
tentar entender o que eles têm feito a nós. Marx está realmente na moda
agora’, Schuetrumpf disse.”
O autor continua explicando que esse retorno a Marx reflete a rejeição
de várias pessoas pelo capitalismo na Alemanha oriental e cita uma
pesquisa de opinião que mostra que 52% da Alemanha oriental considera
que a economia do livre-mercado é “inadequada” e 43% declarou que
preferiam o socialismo ao invés do capitalismo. Esses quadros estão
apoiados em algumas entrevistas bastante reveladoras.
O artigo cita Thomas Pivitt, um trabalhador de informática de 46 anos de Berlim oriental, que diz: “lemos
sobre os ‘horrores do capitalismo’ na escola. Eles realmente entenderam
bem isso. Karl Marx acertou em cheio. Eu tinha uma vida bastante boa
antes que o muro caíra. Ninguém se preocupava com dinheiro porque
dinheiro realmente não importava. Você tinha um emprego mesmo se você
não quisesse um. A idéia de comunismo não era assim tão ruim.”
Hermann Haibel, um ferreiro aposentado de 76 anos disse: “Eu
pensava que o comunismo era uma merda, mas o capitalismo é ainda pior.
O livre-mercado é brutal. O capitalista quer espremer mais e mais e
mais”.
Agora alguns burgueses cínicos podem apontar para o fato de que 1.500
cópias é ainda um número pequeno, mas de acordo com esses números, em
1990 eles vendiam somente 15 por ano. Podemos ter certeza de que os
canais de tv e jornais alemães não estão fazendo propaganda de O
Capital. A maior propaganda para O Capital é a crise financeira mundial
e as condições gerais que os trabalhadores estão tendo de sofrer sob o
capitalismo.
A vida ensina! E hoje as pessoas estão sendo forçadas a aprender bem
rápido. Com isso vem um desejo de realmente entender como o sistema
funciona. Qual melhor autoridade a se recorrer do que o próprio Karl
Marx, que tempos atrás explicou o mecanismo que leva a crises como a
que atualmente estamos vivendo?
Só é preciso olhar o estado da Islândia no momento para ver o quão
relevante Marx é. Não é somente um banco ou uma empresa que entrou em
bancarrota. Aqui temos um país inteiro que foi por água abaixo. Gauti
Kristmannsson, um jornalista islandês escrevendo para o New York Times
sublinha a figura esbranquiçada encarando seu país no artigo “A
tempestade de gelo”:
“Um por um, os maiores bancos
têm sido ceifados pelo governo da Islândia, e os islandeses ouviram
dizer que todos e cada um de nós deve milhões de dólares – a quem, nós
não sabemos.(...)
Os primeiros 500 banqueiros perderam seu trabalho de uma só vez; muitos
outros esperam a segunda pancada de desemprego e perda de suas casas
quando o pagamento de suas hipotecas estourarem.(...)
De repente, existem linhas em bancos para modas estrangeiras, e existe
um limite de quanto nós podemos pegar. Bancos estrangeiros estão se
recusando a aceitar nossa moeda que está em queda livre, o krona. Um
dos meus alunos, estudando na Espanha, não pode pegar dinheiro islandês
para pagar o aluguel. Importadores e exportadores não podem pegar a
moeda para conduzir seus negócios. Turistas islandeses têm problemas em
pegar dinheiro dos ATMs. O governo britânico aplicou leis terroristas
para congelar os bens do banco islandês; a lista continua como se fosse
um roteiro do pesadelo da globalização (...)
...o choque é tão forte que nem raiva nem arrependimento realmente
tomou conta. Pensamos que a Islândia era um país independente que podia
tomar conta de si mesmo sem a ajuda da Rússia ou do Fundo Monetário
Internacional, que a nossa moeda valia alguma coisa, que podíamos ser
donos de empresas e bancos por todo o mundo (...) de várias maneiras,
aceitamos sem crítica o sistema capitalista, que parece ser um cassino
gigante sem dono. Acreditamos, no final das contas, que podíamos tirar
‘dinheiro do nada’ e agora encaramos o fato de que não iremos receber
nada pelo nosso dinheiro.”
Ele conclui seu artigo fazendo a seguinte questão “O que fazer?” e a
responde ele mesmo: “ninguém sabe, pelo menos nenhum dos políticos,
banqueiros, investidores...”, mas, como na Alemanha, Karl Marx vem ao
auxílio. Neste outono, a nova edição do “Manifesto Comunista” está para
ser publicada na Islândia.
As vendas massivamente aumentadas de O Capital na Alemanha e a
publicação do “Manifesto Comunista” na Islândia são itens cômicos de
notícias. Mas, por vezes, anedotas podem revelar muito mais que mil
pesquisas de opinião. Pessoas no mundo inteiro foram sacudidas pelos
eventos dos mercados financeiros. Agora estão procurando por respostas
e, como não as acham em nenhuma das teorias econômicas oficiais,
dominantes, eles se voltam para o único que previu o que está
acontecendo hoje, o Marxismo!
Se alguém duvida disso, leia a seguinte citação do Manifesto Comunista publicado em 1848, há 160 anos:
“As relações burguesas de
produção e de troca, o regime burguês de propriedade, a sociedade
burguesa moderna, que fez surgir gigantescos meios de produção e de
troca, assemelha-se ao feiticeiro que já não pode controlar as forças
internas que pôs em movimento com suas palavras mágicas. Há dezenas de
anos, a história da indústria e do comércio não é senão a história da
revolta das forças produtivas modernas contra as atuais relações de
produção e de propriedade que condicionam a existência da burguesa e
seu domínio. Basta mencionar as crises comerciais que, repetindo-se
periodicamente, ameaçam cada vez mais a existência da sociedade
burguesia. Cada crise destrói regularmente não só uma grande massa de
produtos já fabricados, mas também uma grande parte das próprias forças
produtivas já desenvolvidas. Uma epidemia, que em qualquer outra época
teria parecido um paradoxo, desaba sobre .a sociedade - a epidemia da
superprodução. Subitamente, a sociedade vê-se, reconduzida a um estado
de barbaria momentânea, dir-se-ia que a fome ou uma guerra de
extermínio cortaram-lhe todos os meios de subsistência; a indústria e o
comércio parecem aniquilados. E por quê? Porque a sociedade possui
demasiada civilização, demasiados meios de subsistência, demasiada
indústria, demasiado comércio. As forças produtivas de quê dispõe não
mais favorecem o desenvolvimento das relações de propriedade burguesa;
pelo contrário, tornaram-se por demais poderosas para essas condições,
que passam a entravá-las; e todas as vezes que as forças produtivas
sociais se libertam desses entraves, precipitam na desordem a sociedade
inteira e ameaçam a existência da propriedade burguesa. O sistema
burguês tornou-se demasiado estreito para conter as riquezas criadas em
seu seio. De que maneira consegue a burguesia vencer essas crises? De
um lado, pela destruição violenta de grande quantidade de forças
produtivas; de outro lado, pela conquista de novos mercados e pela
exploração mais intensa dos antigos. A que leva isso? Ao preparo de
crises mais extensas e mais destruidoras e à diminuição dos meios de
evitá-las.”
Desafiamos qualquer um a encontrar uma melhor descrição do que está
acontecendo agora no ano de 2008. Leia as teorias de qualquer um dos
maiores economistas burgueses, leia Friedman ou Keynes, leia a miríade
de artigos publicados em jornais financeiros dos últimos vinte anos.
Você encontrará que, quando se referem a Marx eles o fazem para mostrar
o quão errado ele estava. Claro, alguns dos analistas mais sérios
chegaram perto de enxergarem o que estava acontecendo, mas nenhum
alcançou a clareza de Marx.
O que preocupa a burguesia é que Marx não simplesmente analisou o
funcionamento do sistema capitalista; ele apontou que as crises do
sistema eventualmente levam à revolução, a uma revolta das pessoas
trabalhadoras que têm de sofrer as conseqüências dessas crises
periódicas. Essa idéia está começando a penetrar nas mentes de muitos
trabalhadores e da juventude ao redor do mundo. Se você é um deles, nós
o convidamos a fazer parte da Corrente Marxista Internacional (CMI) e
nos ajudar a construir uma força que pode pôr um fim a este sistema
louco.
Source: Esquerda Marxista
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