Enfermeiras de Massachusetts estão na linha de frente na batalha contra o COVID-19

Com os casos do novo coronavírus continuando a aumentar e sem nenhuma estabilização à vista, as enfermeiras de Massachusetts se encontram lutando mais do que apenas o vírus para manter a si e seus pacientes seguros e saudáveis. Entre a inaptidão e inação do governo e as barreiras ao cuidado médico criado pelo os administradores e acionistas dos hospitais, as enfermeiras exercem seu poder coletivo e usam os recursos de seu sindicato para assumir o controle de fornecimento de provisões, apoio e orientação aos profissionais de saúde. As ações das enfermeiras demonstram claramente a pontualidade e a eficácia das demandas pelo controle dos trabalhadores e pela abertura dos livros de contabilidade.


Em meio a uma pandemia, é quase inimaginável que os administradores dos hospitais estejam mais preocupados com os seus resultados financeiros do que fazer de tudo para combater o vírus. Mas é exatamente isso que eles estão fazendo. Desde o fechamento secreto de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) nas comunidades rurais, até a proteção inadequada das unidades de saúde comportamental (BH) e obstétrica (OB), os administradores dos hospitais tomaram inúmeras decisões a proteger os lucros num momento em que as pessoas estão literalmente morrendo em massa. Sua ganância coloca não apenas os trabalhadores da linha de frente, mas toda a classe trabalhadora em risco.

Apesar de os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) terem estabelecido padrões de equipamento de proteção individual (EPI) para pandemias como essa, as administrações hospitalares não protegeram adequadamente os profissionais de saúde no início do último surto, e reduziram efetivamente a segurança nos locais de trabalho, conseguindo pressionar o CDC para relaxar os padrões de EPI que haviam sido estabelecidos após a pandemia de SRA em 2003. Esses padrões relaxados levaram a inúmeras exposições ao COVID-19, infecções, e mortes entre os profissionais de saúde da linha de frente.

Quando os administradores não estão mentindo aos trabalhadores e ao público sobre o fornecimento de EPI adequado, eles enganam os trabalhadores que estão de licença a como se qualificar para o seguro de desemprego, não oferecendo aumentos de salários ao trabalhadores apesar de alto risco contagioso, demitindo trabalhadores que falam sobre a falta de EPI, de equipamento, e de serviços, e dizendo aos trabalhadores que tiveram resultados positivos do vírus não qualificam a indemnização de trabalho.

Os trabalhadores que contraíram o vírus relatam que os empregadores e os representativos do seguro dos trabalhadores que foram contratados particularmente pelos empregadores disseram a eles que não se qualificam para os benefícios. As enfermeiras da Associação de Enfermeiras de Massachusetts (AEM) estão lutando contra a informação deturpada dos chefes, exigindo que qualquer profissional de saúde que testaram positivo para o vírus presuma se que foi contratado no local do trabalho. As enfermeiras têm feito de tudo a para educar se sobre seus direitos, orientando as para aplicar por indenização diretamente pelo o estado, e introduzindo legislação para considerar oficialmente o COVID-19 como adquirido no local de trabalho para todos os trabalhadores essenciais.

Os enfermeiros relataram que os exames de testes dos trabalhadores tem sido inconsistente na melhor das hipóteses. Não existe um método definitivo para determinar como e quem está sendo testado. Alguns trabalhadores relatam que só se testam quem for sintomático ou se trabalharam diretamente em uma unidade com pacientes que testaram positivo para COVID-19. Enquanto alguns trabalhadores recebem os resultados dos exames em menos de 15 minutos, outros esperam até 10 dias após a administração do teste. Das enfermeiras pesquisadas, apenas 29% foram testadas. 19% dos testados relataram ter que iniciar seus próprios exames depois que o empregador criou uma barreira para obter o exame. Mesmo quando os trabalhadores são testados, houve treinamento insuficiente para quem os administra, resultando em muitos falsos negativos.

Passou bastante tempo desde o início da pandemia, para permitir a análise da eficácia das medidas usadas para prevenir a difusão do vírus. Pesquisas mostram que transmissão dentro do hospital é mais baixa quando todo trabalhador do hospital tem uma máscara por pessoa por turno e a descarta no final do turno. Além disso, todo paciente em cada unidade precisa ser tratado como positivo para efetivamente combater esta doença.

Os administradores hospitalares afirmam ter estoque adequado para fornecer máscaras a todos em casa instalação. Mais as enfermeiras ativas relatam que isso é evidentemente falso. Das enfermeiras pesquisadas, 84% relatam usar a mesma máscara por mais de uma semana. Do 16% que restam, 41% relataram usar a mesma máscara por uma semana, 23% por 4 a 7 dias e 36% por 2 a 4 dias. Nenhuma relatou usar uma máscara por enfermeira por turno.

Em resposta aos desafios de adquirir máscaras suficientes, o Hospital Geral de Massachusetts, juntamente com outros hospitais da região, está testando uma variedade de métodos para descontaminar e reusar máscaras. O uso dessas máscaras esterilizadas foi implementado nos hospitais como um estudo de pesquisa.

No entanto, em uma entrevista ao Boston Globe, Judith Pare, diretora de ensino e prática de enfermagem do sindicato das enfermeiras, explicou: “Essas máscaras sempre foram projetadas para serem usadas uma vez. Nunca foram projetadas para serem reutilizadas, porque, com o tempo, os materiais dessas máscaras desintegram naturalmente.”

Podemos ter uma pesquisa adequada para determinar com que frequência uma enfermeira deve mudar sua máscara ao cuidar de pacientes com COVID-19, mas ainda não foram realizadas pesquisas sobre a segurança e eficácia de esterilização e reuso de máscaras. As enfermeiras concordaram a usar as máscaras descontaminadas, mas relataram que não deram autorização ou consentimento ao processo experimental de descontaminação ou de participar em um estudo de pesquisa. Isso é uma violação flagrante do princípio ético da pesquisa que exige que os indivíduos participam por sua própria vontade e com pleno conhecimento dos riscos e benefícios de participação.

Mais de 320 profissionais de saúde nos EUA morreram nos primeiros 90 dias do vírus. Pacientes em massachusetts estão, atualmente, mais doentes, com a carga viral dispersando nos mais altos níveis. Agora não é hora de testar a eficácia das máscaras descontaminadas. O AEM divulgou uma declaração opondo-se aos métodos de descontaminação para máscaras / respiradores N95, informando as enfermeiras de seu direito a conceder consentimento explícito e o direito de recusar sem retaliação, exigindo que o experimento de descontaminação de máscaras seja suspendida neste momento.

Tudo demonstra que os administradores de hospitais e acionistas famintos de lucro não podem ser confiados para gerenciar e distribuir o EPI aos profissionais de saúde. Em resposta, as enfermeiras assumiram controle de aquisição e distribuição de EPI, e estão lutando pela transparência total de estoque em cada instalação. Em um comunicado publicado recentemente no Facebook, o sindicato anunciou:

Após os atrasos perigosos no fornecimento de EPI desesperadamente necessários para enfermeiras e profissionais de saúde durante a pandemia do COVID-19, e a falta de esforço adequado dos governos estaduais e federais a fornecer as proteções necessárias, o AEM em conjunto com doadores, empreiteiros e organizações externas, conseguiu adquirir e distribuir uma quantidade significativa de EPI e outros suprimentos para seus membros em todo o estado.

O AEM desviou os fundos normalmente usado para conferências presenciais e comprou milhares de máscaras N95 e KN95 para os trabalhadores dos hospitais. As enfermeiras apelaram a classe trabalhadora e a outro sindicatos para doações. Milhares de máscaras foram doadas por indivíduos e milhares foram doadas pelos sindicatos da construção civil. Ate agora, as enfermeiras adquiriram e distribuiram 30 mil mascaras e 11 mil visores faciais.

Em vez de distribuir o EPI diretamente aos hospitais, as enfermeiras forneceram o estoque diretamente aos representantes do sindicato em cada instalação. Vale ressaltar que o AEM não distribuiu apenas EPI a enfermeiros ou apenas a instalações sindicalizadas. Em vez disso, eles distribuíram o EPI a todos os profissionais de saúde em instalações sindicais e não sindicais.

Trabalhadores essenciais continuam sendo forçados a trabalhar em condições perigosas com proteções inadequadas. Os chefes provaram inequivocamente que eles literalmente sacrificariam as vidas dos trabalhadores e colocar o público em risco na busca dos lucros. A resposta dos capitalistas ao COVID-19 criou as condições nas quais os trabalhadores não têm escolha a não ser tomar ação por conta própria. As enfermeiras e a liderança do AEM deram um exemplo claro de como deve ser quando a liderança trabalhista enfrenta a gerência e os trabalhadores começam a afirmar o controle sobre seus locais de trabalho.

Para combater os administradores e as diretorias no setor de saúde, o AEM deve apelar a todos os profissionais de saúde a formar uma frente unida—uma União de Trabalhadores de Saúde. Essa união baseada em classe poderia nós ajudar a conseguir condições de trabalho seguras, melhores salários, e outras melhorias necessárias, e deve incluir uma campanha para sindicalizar os não-sindicalizados no setor da saúde.

A Tendencia Internacional Marxista desenvolveu um programa de demandas para combater o COVID-19 e a crisis economica. As enfermeiras de Massachusetts mostram como aplicar essas demandas em prática. Programas, slogans, e demandas às vezes podem parecer abstratos em tempos de relativa estabilidade. Mas as enfermeiras mostraram que essas demandas são todas abstratas, absurdas ou irracionais—elas são exatamente o que precisamos.

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