A eleição presidencial de ontem (12/12) na Argélia foi marcada por uma enorme campanha de boicote convocada pelo movimento Hirak, que agora já dura 43 semanas. O boicote foi precedido por uma greve geral de quatro dias e foi particularmente forte na região de Kabylie. Dezenas de milhares saíram às ruas em todo o país desafiando a proibição policial de manifestações. Os generais podem até decidir quem será o presidente do país, mas esse governo não terá nenhuma legitimidade real.

A Câmara dos Deputados aprovou, em 4 de dezembro, o “Pacote Anticrime”, elaborado por Sérgio Moro. Ao todo, 408 parlamentares votaram “sim” para o projeto, incluindo quase toda a bancada do PT e três deputados do PSOL. Esse posicionamento dos ditos parlamentares de esquerda expôs até onde se pode ir com a adaptação ao sistema, a política errada, a incapacidade de perceber o movimento da luta de classes no mundo e a falta de confiança na classe trabalhadora. Ao votar a favor de um projeto que endurece a máquina repressiva do Estado, esses parlamentares traíram suas bases e os princípios mais elementares do marxismo. A aprovação desse projeto facilitará em todos os sentidos o aumento da repressão, a prisão e criminalização da classe trabalhadora e da juventude.

A greve interprofissional de ontem (10/12) contra a Reforma da Previdência de Macron levou entre 800 mil e 1 milhão de trabalhadores e jovens às ruas da França, de acordo com a Confederação Geral do Trabalho (CGT). Embora represente uma queda em relação à mobilização da última terça-feira (que foi possivelmente a maior desde 1995), o comparecimento ainda foi alto, com forte participação dos trabalhadores dos transportes, professores, profissionais de saúde e estudantes.