As eleições italianas, um terremoto político no verdadeiro sentido da palavra, produziram o que era previsto: um parlamento enforcado, sem um partido ou uma coalizão de partidos capaz de expressar maioria no governo. Analistas políticos burgueses sérios lamentaram o fato de que mais de 50% do eleitorado votaram em partidos “populistas” contra o sistema, enquanto os partidos sobre os quais o sistema se sustentou durante os últimos 25 anos ficaram seriamente fragilizados.

De repente, não mais que de repente, parece que todos estão falando a mesma coisa: o assassinato de Marielle Franco é inadmissível, é preciso defender a democracia. Mas as aparências enganam e por trás da aparente unanimidade, há um fosso intransponível.

A vereadora Marielle Franco do PSOL no Rio de Janeiro foi assassinada nesta quarta-feira (14/3). Ela vinha denunciando a violência policial nas favelas do Rio, agravadas com a Intervenção. O desrespeito à população, que aparece todo dia nos noticiários, como a destruição das barracas de comércio na Vila Kennedy, a detenção de um morador por desrespeito aos militares durante 36 horas, são exemplos do que está acontecendo diariamente no Rio.