No dia 10 de novembro, às 16h50, o presidente boliviano Evo Morales anunciou sua renúncia. Era o culminar de um golpe que vinha se gestando há algum tempo. Um motim da polícia, atiradores de elite disparando contra trabalhadores de minas, um relatório da OEA questionando a validade das eleições e, finalmente, o exército “sugerindo” que ele deveria renunciar foram apenas os atos finais no fim de semana. Nós nos opusemos a esse golpe reacionário desde o início, enquanto ao mesmo tempo apontamos como foram criadas as condições para ele.

A grande manifestação de 1 de novembro marca um ponto alto para o movimento argelino Hirak, que ocorre há 37 semanas sem interrupção. O regime decidiu convocar eleições presidenciais em 12 de dezembro, que as massas corretamente rejeitaram. O slogan de uma greve geral para deter as eleições e forçar a expulsão do regime está ganhando terreno.

A eleição geral boliviana de 20 de outubro produziu uma vitória para Evo Morales do partido governante (MAS), mas com uma maioria muito reduzida, revelando como a política de colaboração de classe de seu governo alienou setores de sua base tradicional de apoio. O fato de Morales evitar um segundo turno por uma margem diminuta foi usado pela direita para reclamar fraude e começar uma campanha de mobilizações nas ruas. Embora haja diferentes elementos envolvidos nos protestos, nos últimos dias a iniciativa passou para o campo da oligarquia capitalista da Bolívia, organizado pelos elementos mais reacionários da oligarquia capitalista da Bolívia, baseada em Santa Cruz. Os camaradas bolivianos de Lucha de Clases emitiram esta declaração sobre como defender-se da ameaça de golpe.