| Desastre aéreo - O luto e a política |
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| By Esquerda Marxista do PT | |
| Thursday, 19 July 2007 | |
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Lula agiu rápido: decretou 3 dias de luto oficial, despachou o Ministro da Aeronáutica para Congonhas e determinou que a Polícia Federal abra inquérito policial para apurar possíveis responsabilidades de autoridades públicas por terem deixado a pista com defeito, sem as ranhuras responsáveis pelo escoamento de água. O Governador de SP, José Serra, aterrissou de helicóptero ainda na noite do acidente, verificou pessoalmente o que acontecia, anunciou na TV que, segundo os bombeiros, não havia probabilidade de existirem sobreviventes. A TAM disponibilizou vôos para levar os parentes das vítimas para São Paulo. O Ministro da Aeronáutica reúne-se com os parentes para prestar esclarecimentos. Tudo muito certo, todos cumprindo direitinho o seu papel. Mas, quem vai devolver a vida aos 186 passageiros e tripulantes da aeronave? Quem vai devolver a vida de um número indeterminado de funcionários e pessoas que estavam no prédio da TAM? Ninguém, a vida humana não tem preço. Nós nos solidarizamos com todos os parentes das vítimas. Mas cumprimos o nosso papel e temos que fazer aquilo que a burguesia e a grande imprensa não podem fazer: colar em todas estas autoridades e empresas um carimbo: culpados! Eles são, em ultima análise, os responsáveis. Comecemos com um depoimento de pilotos, colhidos pelo Estado de SP e publicado em seu site (http://www.estadao.com.br/cidades/not_cid20326,0.htm, em 18/07/07, as 00:49), reportagem de Sergio Duran:
Sim, depois de assistirmos os controladores de vôo serem responsabilizados criminalmente e presos, agora assistimos os pilotos explicarem... piloto não pode reclamar porque perde emprego. Como chegamos a esta situação, em que os que deveriam ser responsáveis por nossa segurança, como profissionais, não podem exercer a sua profissão dignamente, não podem zelar pela segurança dos passageiros? Como dois acidentes podem ocorrem em um espaço de menos de um ano, como se pode chegar a ter o maior acidente aéreo da América Latina apesar de repetidos avisos, apesar de a imprensa destacar diariamente que a pista escorregava, apesar de no dia anterior um avião ter deslizado, como ninguém tomou providências...antes do acidente?
A privatização e os acidentesA comissão parlamentar de inquérito concluiu que, para resolver os problemas dos aeroportos, era desejável a privatização de todos eles. Privatização? Mas esta foi a origem dos males dos transportes no Brasil e, em conseqüência, as origens desta crise. Sigamos um pouco a história. Em primeiro lugar, a malha ferroviária foi sucateada preparando a privatização, processo que começou no governo militar, passou por Sarney, Collor e terminou com Fernando Henrique. Os trens de passageiros, em particular os que faziam o percurso de RJ-SP e BH-RJ, foram desativados. Neste processo, subiram os preços das passagens rodoviárias, pioraram as estradas, preparando a privatização. E "explodiu" o transporte aéreo, com um crescimento fenomenal, com passagens de preços próximos ao transporte rodoviário. As Cias aéreas foram privatizadas (Varig e VASP), ainda no governo Collor. A Varig, depois disso, é progressivamente sucateada e destruída. Surgem as Cias de "baixo custo" ("low profile"), como a TAM e agora diversas outras (BRA, etc). E uma concorrência selvagem se desencadeia, com a abertura inclusive do mercado internacional (o fim da Varig levou a isso). Assim, tudo deve ser feito para garantir que as aeronaves voem o máximo possível, com o menor tempo em solo possível. Enquanto isso, a infra-estrutura de solo ... Os aeroportos no Brasil foram, na maioria dos casos, construídos durante a ditadura militar. Alguns são verdadeiros "elefantes brancos", sem sentido, como o aeroporto de BH, que é tão longe da cidade que se demora mais viajando do aeroporto para a cidade que na viagem aérea. De forma geral, sem um meio de transporte barato para os aeroportos, com os metrôs passando ao largo para garantir o mercado dos táxis (no Rio, o metrô fica há uma distância de 10min a pé do aeroporto, em SP se vai de táxi ao metrô em 10 min, nos aeroportos longe não existe tal situação e tem-se linhas de ônibus exclusivas, com preço alto). Durante o governo FHC e o governo Lula, começaram e acabaram várias obras que "reformularam" os aeroportos. Constroem-se hotéis, cinemas, restaurantes...verdadeiros shoppings. Salas de estar bonitas...e as pistas continuam iguais, sem crescimento, sem manutenção. Neste espaço de tempo, aeroportos que deveriam fazer somente o tráfego "local", como o de Congonhas e o de Santos Dumont, particularmente o de Congonhas, aumenta o tráfego. Congonhas se torna o aeroporto mais movimentado do Brasil, no centro de SP, com uma pista absurdamente curta, sem possibilidade de crescimento a não ser com desapropriações muito altas. Os acidentes se sucedem na pista, deslizamentos em particular. A pista entra em obras, mas as Cias aéreas não aceitam que o aeroporto seja desativado durante as obras, usando a pista auxiliar (mais curta ainda). E termina-se a obra sem terminar, sem as tais ranhuras para que tudo volte ao normal no período de férias e na realização dos jogos Pan-americanos. Como disse o governador, "uma tragédia anunciada", embora tenha esquecido de dizer que ele teve responsabilidade como Ministro de FHC nesta política que levou à tragédia. Mas, pilotos e controladores não podem reclamar?
Direitos trabalhistas e a vida humanaLula acabou de remeter um projeto de reorganização do serviço público, criando fundações cujo quadro de pessoal será preenchido por trabalhadores regidos pela CLT. A burguesia e seus "especialistas" criticam o projeto por achar que a CLT é muito "rígida". Em palestra ontem no Conselho de Desenvolvimento que ele criou, Lula disse que era necessário reformar a CLT. A oposição, hoje, faz um papel de bumbo para as propostas de Lula, propostas que nascem dos laboratórios do FMI e das entidades empresariais. Mas, a que conduzem tais propostas? - a privatização dos aeroportos, que só pode levar a mais mortes e tragédias. Lembramos que a privatização dos trens na Inglaterra levou ao aumento do número de acidentes! - a destruição de mais direitos dos trabalhadores, aumento do medo e da incapacidade de exercer com dignidade a profissão, ou seja, aumenta a insegurança não só nos vôos, mas em qualquer tipo de transporte. Sim, Lula, José Serra, a TAM e todas as empresas choram lágrimas de crocodilo e derramam dores e providências. Cada uma delas, entretanto, só leva a mais acidentes, mais mortes e mais dores. A luta da classe trabalhadora contra as privatizações e contra a destruição dos direitos é que podem impedir a continuidade dessas tragédias. |
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