Brasil: Revista Veja falsifica e calunia os dirigentes do movimento das fábricas ocupadas

A Frente Única do Governo Federal com a FIESP, ABIPLAST, pelegos e a revista Veja tem o objetivo de tentar liquidar o Movimento das Fábricas Ocupadas e a Esquerda Marxista do PT.

A Frente Única do Governo Federal com a FIESP, ABIPLAST, pelegos e a revista Veja tem o objetivo de tentar liquidar o Movimento das Fábricas Ocupadas e a Esquerda Marxista do PT.

Quem são os que nos atacam e qual nossa atitude frente a eles?!

Em 31 de maio de 2007, por decisão judicial a pedido do INSS, 150 policiais federais e militares invadiram duas fábricas de Joinville, SC. A Cipla e a Interfibra estavam produzindo, desde 2002, sob controle dos trabalhadores. Lutamos para salvar os 1.000 empregos e exigimos de Lula a estatização das fábricas ocupadas. O governo Lula responderá politicamente pela intervenção na Cipla e Interfibra.

Esta invasão e violência pinochetista ficará para sempre como uma mancha nas mãos deste governo. O presidente é Lula e o Ministro da Previdência, Luis Marinho. Esta violência contra a classe trabalhadora coloca os dois governantes ao lado daqueles que durante a época da ditadura militar invadiram estações ferroviárias em greve, invadiram a COBRASMA em 1968, invadiram e mataram na CSN, em 1985. Nós explicaremos isto ao Brasil e ao mundo e continuaremos exigindo que o Governo Lula retire o pedido de intervenção e devolva as fábricas Cipla e Interfibra aos trabalhadores e sua Comissão de Fábrica eleita.

Em fevereiro, o jornal O Estado de São Paulo ataca o acordo comercial/político que fizemos com o governo venezuelano de Hugo Chávez. Paulo Skaf, presidente da FIESP, declara: "é inaceitável esta ingerência do governo de Chávez nos assuntos internos brasileiros e no seu relacionamento de apoio as fabricas ocupadas Cipla/ Interfibra/ Flaskô". (OESP - 22/02/07).

Em maio, Meheg Cachum, presidente da Associação Brasileira de Indústrias Plásticas (ABIPLAST) publica um artigo dizendo: "O governo venezuelano apóia ocupações de indústrias de plásticos que foram assumidas por operários. Já são três (Cipla, Interfibra e Flaskô) as empresas que recebem apoio na forma de compra subsidiada de matéria-prima vinda da Venezuela... Em razão dessas atitudes, é imprescindível que os empresários e a sociedade civil de forma geral, organizem um manifesto de repúdio contundente a esse tipo de prática antes que isso se torne cotidiano e prejudique a democracia.

Precisamos resgatar a indignação diante da interferência em nossos interesses, com o risco de sermos coniventes e passivos em demasia com esse nível de intromissão".

E termina plagiando o poeta Eduardo Alves da Costa (http://br.geocities.com/edterranova/maia40.htm ): "É preciso tomar providências já. No 1º dia eles vem e tomam uma rosa de nosso jardim. E não fazemos nada. No 2º dia eles entram e destroem nosso jardim. E não fazemos nada. No 3º dia eles tomam nossa casa e não fazemos nada porque já não podemos fazer nada".

Eles não podem suportar a existência de fábricas ocupadas, que salvam os empregos, pagam os salários e reduzem a jornada para 30 horas semanais sem redução de salário. E não podem aceitar nossa aliança com a revolução venezuelana e Chávez. Eles não podem aceitar a idéia de que são inúteis parasitas e que a classe trabalhadora pode organizar a sociedade muito melhor que eles.  

A FIESP e ABIPLAST são organizações patronais inimigas da classe trabalhadora e o que vão perder um dia são, exatamente, todas as suas fábricas. Eles são poderosos e ameaçam, mas nossa arma é a organização e um dia seremos milhões. Ameaçados e perseguidos continuaremos organizando a classe trabalhadora para acabar com toda opressão e exploração patronal. E, assim, um dia terminar com o regime da propriedade privada dos grandes meios de produção. Os capitalistas têm razão em nos odiar.

Os pelegos do sindicato dos plásticos de Joinville (não filiado a nenhuma central) são verdadeiros agentes políticos patronais dentro do sindicato. E enfrentarão a Oposição Cutista nas eleições outra vez, além de todos os processos judiciais cabíveis. Inúmeros processos judiciais por calúnia, difamação, etc., já correm na justiça contra estes gangsteres sindicais.

A Revista Veja, órgão de imprensa anticomunista, macarthista, de extrema direita, que se dedica a combater e difamar tudo o que existe de progressivo e de socialista no Brasil e no mundo, já recebeu nosso pedido de "Direito de Resposta" de acordo com a Lei de Imprensa. E está sendo acionada criminalmente por falsificação, calúnia e difamação, além de processo cível de reparação por danos morais.

Em 20 de junho, o fascista Rainoldo Uessler, junto com vários capangas, tentou também invadir e assumir a Flaskô, de Sumaré, SP, e demitir os membros do Conselho de Fábrica. Mas, os trabalhadores, que tiveram 21 dias para se preparar, pararam a fábrica e, com apoio de sindicalistas e parlamentares, expulsaram o fascista.

Então iniciou atos de sabotagem contra a fábrica: ligou para os clientes da Flaskô dizendo que não comprassem, pois eram produtos roubados, ligou para a CPFL pedindo que cortasse a energia, no que foi prontamente atendido pela multinacional e resultou em 40 dias de luta pela religação da energia. Hoje, a Flaskô retomou a produção e continua na luta pela estatização com controle operário e pelo fim da intervenção na Cipla e Interfibra.

O que a Revista Veja diz de verdade?

A Veja tem toda razão quando afirma que nós somos "comunistas do PT" e que criamos o "MST das Fábricas". Desde 2002, militantes da Esquerda Marxista do PT ajudaram milhares de trabalhadores a defender seus empregos e assumir o controle de diversas fábricas ameaçadas de fechamento pelos patrões.

O Movimento das Fábricas Ocupadas tem atuação em Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina E se coordena internacionalmente com os movimentos de fábricas recuperadas na Venezuela, Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Peru e outros.

A Veja diz a verdade, o que é raro, quando afirma que "A meta imediata do Movimento das Fábricas Ocupadas é a estatização das empresas sob controle dos trabalhadores". É verdade, também, que sou fundador e membro do Diretório Nacional do PT.  E que somos aliados de Hugo Chávez pelo aprofundamento da revolução venezuelana e no Movimento das Fábricas Recuperadas por Trabalhadores no Brasil e em toda a América Latina. Tudo isto, que a Veja apresenta como "acusação" é pura verdade, é político, nos orgulhamos disto e está tudo publicado.

Todo o resto da matéria é pura mentira, falsificação e calúnia. O ódio anti-socialista, ódio de classe da Veja, a leva a combater nossa política com os mais imorais e criminosos métodos.

A revista Veja afirma que "Na empresa em que a ocupação foi mais prolongada, a Cipla, tradicional fabricante de produtos plásticos em Joinville, isso significou quatro anos e sete meses de irregularidades administrativas, desvio de fundos e violência política". Assim, a pretensa reportagem começa afirmando o que não pode provar e que desmontaremos peça por peça nos parágrafos seguintes. E nos tribunais.

Todas as mentiras da Revista Veja

Mentira 1: "Três meses atrás, a Cipla sofreu intervenção judicial, ordenada porque os patrões socialistas descontavam o INSS do salário dos empregados, mas não o repassavam à Previdência Social".

Verdade 1: A intervenção judicial foi determinada (de fachada) para cobrar uma dívida da CIPLA S/A no valor de R$ 2.017.406,56. A Dívida foi deixada pelos antigos proprietários e é de 1998. Feita, portanto, quatro anos antes da ocupação.

Na verdade, a intervenção é para liquidar um movimento político anticapitalista. É perseguição política. Nunca, no Brasil, uma só fábrica controlada por capitalistas foi invadida pela PF, a pedido do governo, porque deve para a Previdência. E existem milhares, devendo bilhões de reais. Se alguém quiser a lista é só pedir.

E, além disso: "Para incentivar o investimento produtivo no País, entre 2004 e 2007, o governo federal promoveu a redução e a suspensão de impostos que incidem sobre empresas, produtos e serviços totalizando uma renúncia fiscal de R$ 29,2 bilhões no período. (Boletim EM QUESTÃO, da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. nº. 523 - Brasília, 11 de junho de 2007)

Mentira 2: "No interior das fábricas, funcionários eram coagidos a freqüentar aulas sobre a ideologia comunista, a ler a respeito da Revolução Russa de 1917 ou a contribuir com ações políticas de outros sindicatos ou com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), sob ameaça de perder o emprego".

Verdade 2: Todos os cursos de Formação realizados sempre foram de participação voluntária. A prova é que centenas de trabalhadores nunca fizeram qualquer curso porque não se interessaram. As atividades de formação eram dados por economistas, professores universitários, advogados, e outros convidados que podem atestar o que afirmamos.

Até a presença nas Assembléias sempre foi voluntária. E nunca ninguém foi obrigado a participar de coisa alguma "sob ameaça de perder o emprego". Todo o movimento sindical, que sempre participou de nossas atividades e que tinha as portas da Cipla abertas, é testemunha de como tudo se passava.

Mentira 3: "Membros do Ministério Público Federal, da Delegacia Regional do Trabalho, do governo estadual, da Câmara dos Vereadores e do sindicato da categoria decidiram entregar a administração da fábrica a uma comissão de funcionários. Foi o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Material Plástico de Joinville que indicou o radialista Carlos Castro, da Esquerda Marxista do PT, para membro da comissão."

Verdade 3: A fábrica foi ocupada depois de uma greve vitoriosa deflagrada contra a vontade do sindicato que fez um "parecer jurídico" contra a greve. E Castro foi eleito pelos trabalhadores para dirigir a empresa no mesmo dia do Acordo Trabalhista assinado. O Sindicato pelego só encaminhou a decisão da assembléia porque não podia fazer outra coisa. É o que diz a própria decisão judicial: "Como fruto dessas manifestações e reivindicações, em outubro de 2002, na presença do Ministério Público Federal, do Ministério Público do Trabalho, do Sindicato da categoria e de outras autoridades e políticos locais, alguns sindicalistas assumiram, em nome dos trabalhadores, a administração das empresas do Grupo Cipla. Passaram, então, a geri-las diretamente, por meio de uma comissão criada para esse fim, como forma de garantir o recebimento de seus salários, forma de gestão que perdura até hoje".

Mentira 4: "O objetivo da comissão era salvar a empresa e os empregos, mas o que se seguiu foi pura politicagem", diz Reinaldo Schroeder, presidente do sindicato, que rompeu com a administração esquerdista da fábrica em fevereiro de 2003".

Verdade 4: A ruptura com o pelego Reinaldo Schroeder se deu porque, em julho de 2003, ele começou a realizar assembléias dentro das grandes fábricas de plástico de Joinville fazendo aprovar redução de salários com redução de jornada junto. As votações eram feitas sob as vistas dos executivos e gerentes destas empresas. Então organizamos a Oposição Cutista no Sindicato.

Mentira 5: "O assalto ao caixa da empresa foi feito de diversas formas. Foram contratados 28 petistas, entre eles líderes estudantis, agricultores e um garçom ligados à Esquerda Marxista. Um sitiante, presidente do Sindicato Rural de Araquari, cidade próxima, foi empregado como auxiliar administrativo em 2003 ganhando 1.690 reais. Em abril deste ano, era gerente com salário de 5.316 reais. Nessa condição, empregou dois irmãos, uma cunhada, uma prima e um sobrinho".

Verdade 5: O trabalhador citado foi contratado para trabalhar na auditoria que fizemos ao assumir a empresa, em 2003. Ela não era militante da Esquerda Marxista. Tinha currículo condizente e fez um bom trabalho, chegando anos depois a ser o Gerente Administrativo da Cipla. Atualmente termina faculdade de administração de empresas. Um outro irmão dele assumiu a Gerencia Comercial abandonando um emprego na metalúrgica SID onde ganhava salário maior porque decidiu, a nosso pedido ajudar a fábrica ocupada. Este trabalhador era dirigente da Pastoral da Juventude.

Por fim, nunca houve critério partidário nas contratações. É só ver as centenas que foram contratados e não se sabe que partido têm. Todas as contratações eram coletivas feitas por um Comitê de Contratação composto por membros de diversos setores da fábrica.

Mentira 6: "Funcionários eram coagidos a doar parte do salário a uma certa Associação Ferreirinha, criada para financiar projetos políticos, que também recebia 0,5% do faturamento da empresa".

Verdade 6: Mais de um terço dos trabalhadores da Cipla nunca se associou ou descontou qualquer coisa para a Associação Ferreirinha. A adesão era voluntária e por isso sempre havia campanhas de filiação. Foi criada em assembléia e envolvia trabalhadores de todas as fábricas ocupadas. A Associação Ferreirinha tem como objetivo a defesa dos empregos e a luta pela estatização das fábricas e organizou todas as caravanas a Brasília, atos, manifestações e encontros nacionais e internacionais de luta.

Mentira 7: "Comprovantes de depósito revelam que o dinheiro ia direto para a conta bancária de Goulart".

Verdade 7: Todas as despesas da empresa eram reembolsadas via depósito em conta contra apresentação das notas e recibos dos gastos.  Isso era feito para todos os funcionários que viajavam a negócios ou para atividades de defesa das fábricas. Aliás, como [é normal em qualquer empresa.

O Coordenador (presidente) da Cipla trabalhava e produzia conforme sua função. E para tanto, tinha gastos de viagens comprovados. Todas as atividades eram de conhecimento e aprovadas pelas instancias competentes fosse a Comissão de Fábrica, o Comitê Administrativo e Financeiro ou as Assembléias. Todas as viagens, atividades e Congressos e Encontros sempre foram divulgados nos Boletins, Jornais e na sua página eletrônica.

Como Coordenador da Cipla dirigi durante 5 anos a empresa. Sua receita anual era de cerca de 40 milhões de reais. Toda a contabilidade era aberta e publicada semanalmente (entradas e saídas) nos murais da empresa. Meu patrimônio é hoje exatamente o mesmo de antes de dirigir a Cipla. E me orgulho de ter sido o proponente da decisão de que a regra salarial fosse de que ninguém, nem mesmo eu como Coordenador (presidente) da empresa, podia receber salário maior do que o salário do mais antigo trabalhador da Ferramentaria da Cipla, ou seja, do mais especializado operário da fábrica. Esta decisão e todos os salários, todos, foram aprovados em assembléias realizadas depois de discussões e reuniões durante seis meses, a partir de proposta apresentada por uma comissão constituída com este objetivo. Este Plano de Cargos e Salários está a disposição. É só pedir: This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it. .

Já o interventor, o que a Veja esconde, está recebendo 83 mil reais por mês para falir e fechar a Cipla como ele mesmo afirma na pretensa "reportagem".

Mentira 8: "Recibos mostram que a Cipla pagou 16.633 reais pela instalação de um sistema de segurança na casa de Goulart em Florianópolis".

Verdade 8: Aqui a falsificação, omitindo fatos deliberadamente, tenta mostrar utilização particular de dinheiro da empresa. A verdade é que esta foi uma decisão coletiva da direção da empresa para proteger a família de seu coordenador após um assalto na Cipla, em 4/02/06. Os assaltantes num sábado a noite renderam a guarda e levaram o Caixa Automático do Bradesco no interior da empresa, além de arrombar uma parede na antiga sala usada antigamente pelo ex-proprietário. Descobriu-se, então que esta parede tinha um fundo duplo, que desconhecíamos e de onde foi retirado algo que ainda não sabemos o que era. Todo o setor financeiro e administrativo foi revirado. Os assaltantes disseram aos guardas que voltariam para por fogo quando o depósito estivesse cheio de matéria prima. Poucos dias depois o Caixa Bradesco foi encontrado atirado em um mangue sem que os assaltantes tivessem tocado nos mais de 60 mil reais que ele continha.

Nas três semanas seguintes minha casa em Florianópolis, onde residem minha mulher e duas filhas pequenas, foi assaltada três vezes e meu escritório revirado. Objetos de valor não foram elevados. Minha família estava aterrorizada inclusive pelo fato de que eu passava a semana fora da cidade por causa da Cipla e do Movimento das Fábricas Ocupadas.

Frente a esta situação que tornava inviável minha permanência fora de minha casa e, portanto colocava em risco minhas atividades de defesa e administração da Cipla, a direção eleita decidiu instalar um sistema de segurança em minha casa para proteger minha família. Uma decisão política tomada pelas instancias competentes e legais na administração da empresa.

Mentira 9: O interventor Rainoldo Uessler é "Perito de Florianópolis especializado em recuperar empresas...."

Verdade 9: Este interventor foi durante 20 anos diretor do Tribunal de Justiça de SC e amigo de muitos, muitos juízes. Agora tem um tal "Instituto Rainoldo Uessler" especializado em liquidação de empresas falidas onde ganha milhões. Foi o concordatário da Cipla de 1998 a 2000 quando trabalhou amigavelmente com os antigos proprietários, exatamente na mesma época em que estes não pagavam ninguém e se apropriavam dos descontos previdenciários feitos dos trabalhadores. A ação do INSS que dá base para a intervenção agora é exatamente desta época (1998). Há uma lista de empresas que ele fechou e outras que ele não conseguiu fechar porque os proprietários conseguiram impedir na justiça seus objetivos inconfessáveis.

Mentira 10: "... ele está no comando da Cipla e de outras duas fábricas que estiveram sob ocupação da Esquerda Marxista do PT. Sua missão é prejudicada por sabotagens praticadas pelos militantes remanescentes nas fábricas".

Verdade 10: Não há nenhuma sabotagem. Como não queremos fechar a Cipla, não queremos vê-la destruída, mas retomá-la sob controle dos trabalhadores, é que fomos nós que pedimos aos trabalhadores que se mantivessem trabalhando enquanto levamos a batalha judicial e política para por fim à intervenção.

O que ele chama de sabotagem é o resultado do terror que impôs com a Polícia Federal e depois com um exército privado armado que segue os operários até no banheiro e impede a conversa em grupos dentro da fábrica. Depois do terror o desanimo é imenso dentro da fábrica e isto age direto na produção. Qualquer idiota sabe disso. Além do que ele é incapaz de fazer funcionar a fábrica porque fornecedores e compradores, clientes, sabem que ele vai falir a Cipla. Quem vai vender para não receber ou fazer pedidos que não serão entregues? É por isso que grandes clientes, como a Mercedes Benz, já se preparam para se retirar seus moldes e produzir em outras empresas.

É por isso que ele decidiu absurdamente "cortar custos em 35%" e "reduzir a folha de pessoal em 26%" determinando aos chefes atuais que fizessem as listas de nomes a cortar (decisão do interventor descrita em ATA de 2/07/07).

Mentira 11: "Mais de 230 empregados foram demitidos durante a ocupação, a maioria por razões políticas".

Verdade 11: Nunca houve demissão política. Das 230 demissões ocorridas em cinco anos, 180 destas foram no primeiro mês da ocupação. E a pedido dos próprios trabalhadores que não acreditavam que íamos salvar a Cipla e preferiam ir buscar outro trabalho. O clima na época era terrível, sem matéria prima, sem capital algum e com montanhas de dívidas.

Aliás, toda a imprensa, os patrões, e seus políticos afirmavam abertamente que em três meses estaríamos fechados. Estavam enganados, como se comprova hoje. Sobrevivemos cinco anos e viemos de um faturamento de 900 mil para mais de 3 milhões mensais. Salvamos os empregos e pagamos os salários. Inclusive os 2 milhões de férias e salários atrasados. Fizemos um Acordo com a Justiça do Trabalho (Acordo recusado sempre pelo INSS) e o cumprimos rigorosamente durante anos. Pagamos mais de 2 milhões das ações trabalhistas deixadas pelos antigos proprietários. Restabelecemos a confiança de fornecedores e clientes. E a Cipla voltou a existir e seus trabalhadores não se envergonhavam mais de dizer onde trabalhavam.

Mentira 12: "No auge da tensão, os dirigentes ordenaram a fabricação de quarenta cassetetes de madeira e manoplas de plástico. Aulas de artes marciais começaram a ser ministradas para um grupo seleto de jovens. Para os empregados, foi um sinal de que todos estavam correndo perigo".

Verdade 12: A segurança da Fábrica sempre foi assegurada coletivamente após decisão de Assembléia e das diversas tentativas de retirada de máquinas e equipamentos pelos leilões promovidos a pedido do INSS. Depois do assalto a segurança foi reforçada com equipes de trabalhadores voluntários se revezando para ajudar a guarda fixa pois não havia dinheiro para contratar mais guardas.

O Tai Chi Chuan é praticado na China por milhares de homens, mulheres e crianças de todas as idades. E começa a ganhar o Brasil gradativamente pelos seus benefícios, sendo até foco de pesquisa realizada no Hospital das Clínicas, por seus elementos de equilíbrio corporal e mental. Temos uma lista de grandes corporações que utilizam este recurso para potencializar sua produtividade. Era, entretanto, praticado por apenas cerca de 90 trabalhadores, a maioria deles idosos com problemas de coluna ou postura. Foi por isso também que contratamos terapeuta e assistente social. Quando os trabalhadores assumiram o controle a Cipla acontecia uma média de 157 acidentes graves por ano. Um ano depois nossa média era de 8 por ano. Saúde em primeiro lugar, não os lucros patronais.

Mentira 13: "Nas três fábricas de Joinville sob intervenção, a maioria dos funcionários aprova a nova situação. A esperança é que seja decretada a falência das firmas. Dessa forma, poderiam formar cooperativas e assumir a administração das empresas... Os funcionários querem fazer exatamente isso, dessa vez, sem a intromissão de militantes comunistas".

Verdade 13: Uma semana após a intervenção o fascista nomeado pelo juiz fez com que os chefes de setor passassem um abaixo assinado indo de máquina em máquina e de mesa em mesa. Ao lado do abaixo assinado seguia junto um "homem de preto", segurança privado armado, para proteger o chefe capacho. E na porta da fábrica tirou o Outdoor que dizia "Empresa sob Controle dos Trabalhadores" e colocou outro dizendo "Os funcionários apóiam a intervenção".

Dizer que os operários querem a falência e a criação de uma cooperativa é uma afirmação ridícula. Só quem não conhece o que pensam os  operários da Cipla e Interfibra pode afirmar uma idiotice destas. A Profiplast, outra empresa de Joinville sob intervenção do mesmo fascista Rainoldo, tinha 130 trabalhadores. Agora tem uma cooperativa com 27 remanescentes. Se a mesma "esperança" for aplicada na Cipla e Interfibra, como promete o interventor e a revista Veja elogia, dos 1.000 trabalhadores das duas fábricas, restarão apenas 201 operários-patrões por um breve tempo até que o mercado, dominado por enormes empresas, os liquide.

A única verdade é que...

Eles fecham, nós abrimos as fábricas. Eles roubam terras e nós ocupamos. Eles fazem guerras e destroem nações, nós defendemos a paz e a integração soberana dos povos. Eles dividem e nós unimos. Porque somos a classe trabalhadora. Porque somos o presente e o futuro da humanidade.

Convocamos todos a continuar esta luta e ampliá-la aprofundando a unidade e a luta que levamos junto com toda a classe operária e os povos contra o inimigo comum da humanidade.

Venceremos!

Serge Goulart

Coordenador do Movimento das Fábricas Ocupadas/Brasil

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